Vinho e Saúde: Um Brinde com Benefícios ou um Brinde ao Perigo?

Profissionais da saúde esclarecem os possíveis benefícios e os perigos do consumo de vinho para a saúde cardíaca e geral

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Há um consenso popular de que o consumo moderado de vinho, especialmente o tinto, pode trazer benefícios à saúde. Entre os alegados benefícios, a proteção das artérias e uma leve diminuição da pressão arterial são frequentemente citados. Mas será que isso é mito ou verdade? Para esclarecer essas dúvidas, recorremos ao cardiologista Adelson Miranda e à nutricionista Graça Cavalcante, ambos profissionais do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.

De acordo com o Dr. Adelson Miranda, o consumo moderado de vinho pode sim contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares. O vinho tinto, em particular, parece ter efeitos positivos sobre os níveis de colesterol, reduzindo as lipoproteínas de alta densidade (LDL – o “mau” colesterol) e aumentando o colesterol de baixa densidade (HDL – o “bom” colesterol). Segundo ele, isso pode prevenir a formação de placas de gordura nas artérias e vasos sanguíneos, melhorar a elasticidade das veias e a circulação, reduzindo assim o risco de infartos e outras doenças cardíacas graves.

O Outro Lado da Moeda: Riscos do Consumo de Vinho

Contudo, o consumo excessivo de vinho pode ter efeitos adversos significativos na saúde. A ingestão de grandes quantidades da bebida pode elevar a pressão arterial, aumentando o risco de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), com consequências potencialmente devastadoras para a saúde. É crucial lembrar também que o vinho é uma bebida alcoólica e, portanto, seu consumo deve ser evitado por motoristas.

Equilíbrio é a Chave

“A ação protetora do vinho vem da uva, que contém uma molécula chamada resveratrol”, explica a nutricionista Graça Cavalcante. Este polifenol tem várias funções no corpo humano, incluindo a promoção da saúde do coração, a prevenção do câncer e a diminuição do envelhecimento precoce por sua ação antioxidante.

No entanto, a Dra. Cavalcante alerta que nem todas as pessoas se beneficiam do consumo de álcool. Pessoas com arritmias cardíacas ou cirrose hepática, por exemplo, podem ter suas condições agravadas pelo consumo de vinho.

A Conclusão dos Profissionais da Saúde

Em relação à questão do vinho e da saúde, a Dra. Cavalcante cita um artigo recente publicado na revista da Associação Médica Norte-Americana (JAMA), que questiona a ideia de que o vinho protege contra doenças cardiovasculares ou prolonga a vida. “Eles ressaltam que os benefícios estão mais relacionados à fruta (uva) do que à bebida (vinho). Particularmente, concordo com a conclusão do artigo”, acrescenta ela.

Para manter a saúde do coração e do organismo em geral, a Dra. Cavalcante recomenda uma alimentação rica em alimentos que contenham polifenóis, substâncias encontradas em abundância em alimentos in natura. Assim, o vinho pode ser um complemento, mas não deve ser a principal fonte desses compostos benéficos.