O consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas impõe um impacto significativo ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme levantamento da Fiocruz em parceria com ACT Promoção da Saúde e Vital Strategies. O custo estimado alcança R$ 28 bilhões anuais, considerando gastos diretos e indiretos, além de 160 mil mortes relacionadas por ano.
Os números alarmantes
Os alimentos ultraprocessados geram um custo direto de R$ 933,5 milhões e um total de R$ 10,4 bilhões quando adicionados os custos indiretos e mortes prematuras. Já o impacto das bebidas alcoólicas no SUS é estimado em R$ 18,8 bilhões anuais. As doenças decorrentes desses consumos somam 57 mil mortes ligadas aos ultraprocessados e 105 mil ao álcool.
Eduardo Nilson, pesquisador da Fiocruz, aponta que os números apresentados são conservadores, pois não incluem custos associados a saúde suplementar, prevenção ou cuidados primários.
Propostas de mitigação
Para reduzir o impacto, especialistas sugerem a implementação de impostos seletivos. Segundo Marília Albiero, da ACT Promoção da Saúde, além de gerar recursos para financiar tratamentos, esses impostos podem desestimular o consumo de produtos nocivos.
“A medida tem efeito progressivo, reduzindo custos futuros no sistema de saúde e melhorando a expectativa de vida”, afirma Albiero. A proposta está alinhada à reforma tributária, que busca maior justiça fiscal e políticas de saúde sustentáveis.
Além disso, as campanhas educativas são apontadas como fundamentais. A experiência no combate ao tabagismo é citada como exemplo bem-sucedido de redução de consumo por meio de conscientização e taxação.
Álcool e violência: um problema ampliado
O estudo também destaca os efeitos sociais do consumo de álcool, como violência doméstica e acidentes de trânsito. Esses fatores contribuem para as 105 mil mortes anuais atribuídas ao álcool e afetam áreas como segurança pública e saúde mental.
Uma pesquisa revelou que 62% dos brasileiros apoiam o aumento de impostos sobre bebidas alcoólicas, enquanto 61% acreditam que a medida ajudaria a reduzir o consumo.
Pedro de Paula, da Vital Strategies, reforça que os danos sociais e financeiros exigem que setores prejudiciais assumam sua parcela de responsabilidade.
A resposta da indústria
Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) criticou as alegações do estudo, apontando para a falta de clareza na definição de alimentos ultraprocessados. A entidade ressaltou que mais de 5,7 mil produtos regulamentados e aprovados por órgãos como Anvisa e Ministério da Agricultura são injustamente responsabilizados.
“Os alimentos passam por rigorosos controles de qualidade, com validação de autoridades nacionais e internacionais”, afirma a Abia.